Não importa a área, os efeitos
de um conflito são sempre os mesmos: altos níveis de ira, tensões
familiares, cansaço, desencorajamento, sentimentos de inadequação e pensamentos
sobre voltar à sua vida antiga.
A maioria das pessoas nas igrejas fracassam em conseguir algo
construtivo porque as pessoas não lutam de acordo com um plano santo. A nossa
tendência é lutar do ponto de vista da reação (reagimos a algo), usando as
armas e táticas disponíveis para mantermos a nossa posição.
Contudo, a fé em Deus nos chama a pararmos de usar as armas da
carne e a começarmos a usar as táticas de Deus na resolução de conflitos.
Alguns passos são:
1)
Deixe que a misericórdia te guie:
(provérbios 3:3-6) em primeiro lugar, você precisa abandonar o conceito do que
é justo (ou do que é certo). O caminho de Deus não tem a ver com o que é justo.
Em inglês, existem duas palavras para o termo “justo”. Em português, apenas
uma. Nesse caso, o autor está falando do que seria adequado ou razoável de
acordo com os padrões das pessoas, e não dentro da justiça de Deus. Você acha
que a morte de Jesus na cruz foi algo justo? Você realmente gostaria que
Deus te tratasse de maneira justa, ou seja, conforme você realmente deveria ser
tratado? É muito fácil apontar como as pessoas têm te tratado injustamente.
Opte pela misericórdia.
2)
Deixe que a verdade te direcione: a
verdade deve ser o seu guia. A verdade é aquilo que Deus diz. Os seus
sentimentos não podem ter a palavra final; os seus pensamentos não determinam a
verdade. A opinião dos outros – até mesmo a da maioria das pessoas – também não
é a última palavra. À Deus, e apenas a Ele, é dada a autoridade de
interpretar situações; e tudo o mais deve ser subordinado à sua perspectiva.
3)
Creia que a batalha é do Senhor: o
inimigo quer que você pense que a batalha é apenas sua. É fácil acreditarmos
nisso, especialmente quando estamos cansados. O diabo quer te enganar e te
fazer lutar como se estivesse separado de Deus. Pessoas que creem estarem separadas
de Deus tendem a ficar desesperadas, e acabam tomando medidas desesperadas.
Pedro era um tipo de pessoa assim, com todas as suas explosões de ira.
Quando cremos que a batalha é do Senhor, lançamos os nossos cuidados
sobre Ele.
4)
Confie na mente de Cristo: não
devemos nos estribar no nosso próprio entendimento (Provérbios 3:5). Faz
parte do homem natural julgar as pessoas de acordo com o seu próprio
entendimento, mas precisamos nos ater ao que disse Deus em Provérbios 16:25. A
sua argumentação pode ser muito inteligente, e você pode até vencer com o
melhor argumento, mas se a sua inteligência ou lógica forem alimentadas pelo
seu desejo por autopreservação – pelo que é melhor para você – então você
não ganhou nada, porque o ponto de vista da carne não se aproveita para nada.
(I Coríntios 2:16) devemos confiar na lógica de Cristo. Essa é a lógica santa
que prefere os interesses de outros sobre os nossos, e nos coloca na posição de
ver o que Deus vê no meio de um conflito. Isso muda a sua perspectiva em
relação à bagunça que está bem à sua frente.
5)
A sua luta não é contra carne ou sangue:
(Efésios 6:12). Quando você fica olhando para o seu inimigo de carne e sangue,
maiores são as suas chances de lutar a sua guerra com as armas da carne. A
nossa luta é contra aquilo que nossos olhos naturais não podem ver, Deus nos
ensina isso. Por isso, as armas da carne – como a manipulação, discussões,
fofocas e maledicências – não são de nenhuma valia. De fato, elas apenas servem
para tornar as coisas piores.
6)
Pela fé, pare de usar as armas da carne:
(II Coríntios 10:4,5) toda arma que usamos para suprir as nossas necessidades
sem que Deus esteja envolvido é uma arma da carne. Tais armas incluem a
intimidação, ridicularizar as pessoas, ameaças e alianças com pessoas erradas.
É como tentar lutar contra um gambá usando o fedor – todo mundo sai perdendo.
Ao invés de liberarmos a doce fragrância do perfume de Cristo, todos acabamos
exalando o odor da morte. As pessoas querem usar as armas da carne porque
elas funcionam. Mas o problema é que elas apenas funcionam por um período de
tempo! Enquanto asseguramos vitórias temporárias, acabamos perdendo vitórias
eternas. Esse é o maior perigo de usarmos armas carnais, armas fabricadas pelo
próprio satanás.
7)
Pela fé, comece a usar as armas do Espírito: a oração é uma das maiores armas espirituais disponíveis. A
oração nos lembra de quem é Deus e de que somos seus filhos. A oração nos leva
a uma perspectiva eterna ao invés de temporária. É a oração que nos mostra a
interpretação de Deus sobre a nossa situação. O perdão também é uma arma
espiritual. O perdoador vive dentro de você. Também nunca se esqueça de amar.
Aprenda como perder em um conflito:
Em primeiro lugar, o seu desejo pode transformar-se em uma ordem
– você quer realizar mudanças, mas outras pessoas estão resistindo a suas
brilhantes ideias… Inconscientemente, você tenta forçar as pessoas a fazerem
aquilo que você quer. Contudo, essa arma da carne não vai fazer com que as
pessoas se unam a você na busca de mudanças. De fato, ela pode te fazer usar
outra arma da carne – o orgulho – e esta sempre te leva a ter um fim amargo.
Quando você começa a querer controlar as pessoas ao invés de
cooperar com elas – muitas vezes tentamos governar as pessoas ao invés de servi-las;
consertá-las ao invés de aceitá-las (e de aprender com elas) – o seu objetivo é
controlá-las pela força. Você usa poderosos argumentos para tentar consertar a
“lógica falha” daqueles que não concordam com o seu ponto de vista. O problema
com essas estratégias é que elas estão centradas em uma única pessoa e somente
permitem que a situação seja vista pelo ângulo do interesse próprio.
Eis a dura verdade: é mais fácil buscar o poder do que amar. É
mais fácil tentar controlar do que amar. O objetivo de Deus para você é amar e
não controlar, não importam as circunstâncias. Quando amamos, o nosso foco
passa a ser os outros e conseguimos enxergar os conflitos do ponto de vista de
Deus. Isso nos coloca na posição de buscarmos uma solução santa para quaisquer
conflitos. O amor ativa os frutos do Espírito. Quantas conversas acabaram em
grandes problemas apenas pela simples falta de gentileza? E quando foi que o
fruto do Espírito fez com que alguém suspeitasse de você?
Essas qualidades – os frutos do Espírito – são necessárias para
que você resolva qualquer conflito de maneira santa, tendo o amor como
objetivo, e não simplesmente ganhar.
“Mas eu estou certo e eles errados!” – Vivemos em uma cultura
que parece colocar a opinião pessoal em uma espécie de altar. Isso é um tipo de
idolatria pessoal centrada em “mim mesmo e nos meus direitos”. Muitas vezes,
mesmo como cristãos, prezamos mais os nossos direitos do que a paz e a harmonia
com nossos irmãos. Muitas vezes, a nossa guerra acaba não sendo uma guerra
santa, não importa o quão certo nós possamos estar em relação àquilo pelo qual
guerreamos. Somos cristãos, mas não queremos agir como tais– como, por exemplo,
quando achamos que iremos perder em alguma situação.
O compromisso de ganhar a todo custo – de estar certo quando sei
que estou certo – o compromisso com uma guerra que não é santa – para Paulo,
existe algo mais importante do que ganhar ou do que provar que se está
certo. Em I Coríntios 6: dois irmãos estavam tão engajados em provar quem
estava certo que eles iriam levar o seu caso para o tribunal. Não é que Paulo
esteja condenando o uso do sistema legal para os cristãos – ele mesmo fez uso
dele para chegar a Roma. Mas, com certeza, Paulo está falando sobre a posição
de muitos cristãos de quererem provar que estão certos não importa o custo que
isso venha a ter para a Igreja ou para os outros. Em I Coríntios 6:7 ele nos
oferece uma santa opção.
Isso significa termos paz a qualquer preço? Não! Mas se você
tiver que fazer uso de alguma arma carnal para poder vencer, é melhor perder
então. Se você tiver que se tornar canal para poder vencer – da perspectiva de
Deus – é melhor que você perca. Para que Deus aja a seu favor em uma luta
santa, você precisa abrir mão do direito de estar certo.
Você tem o direito de permanecer sendo servo – isso significa
que você não mais possui direitos? É claro que não; você tem muitos direitos.
Você tem o direito de servir e de abençoar a outros (João 13:1) . Jesus
nos mostrou que devemos lavar pés sujos ao invés de expô-los. Também é mais
difícil olharmos para os outros com ar de superioridade quando estamos lavando
os pés deles. Quando o nosso único compromisso é estar certo, tendemos a olhar
com superioridade para aqueles que não concordam com a nossa opinião. Formamos
julgamentos em relação às pessoas, não levando em conta o que Deus pensa, mas o
nosso ego ferido. Ao invés de olharmos para o nosso “adversário” pelos olhos da
graça, olhamos para eles com os olhos da ira.
Um oftalmologista cego – só podemos olhar para os nossos irmãos com
os olhos de Deus quando tiramos as traves dos nossos próprios olhos (Mateus 7).
O nosso julgamento não tem utilidade alguma para ninguém. Mas isso não nos
proíbe de confrontarmos as pessoas ou de exercemos algum tipo de julgamento
razoável.
O problema é que quando não
enxergamos as coisas de forma clara e sensível, apenas tornamos as coisas mais
difíceis.
E quando Deus te dá uma visão
clara que te permite ver os defeitos daqueles que estão em guerra contra você,
eis uma outra verdade: Deus não faz com que você veja as falhas dos outros para
que você as use contra eles – mas para que você possa orar por essas pessoas. O
propósito é a intercessão pelas pessoas. Um intercessor julga a necessidade e
não a falha. Talvez a péssima escolha feita pela pessoa foi motivada pelo medo
ou pelo desejo de aceitação. Ao invés de atacar a escolha ou culpar
aquele que a fez, escolha amar essa pessoa.
Com esse tipo de julgamento,
você tem uma escolha – você pode julgar um conflito pela aparência ou de uma
forma justa. Você pode andar por vista e considerar apenas o que é
visível (e que é real, não devendo ser ignorado) ou andar por fé e considerar o
invisível, o que toca a raiz de todo problema. Você pode escolher cuidar de si
mesmo, porque acha que a sua queda é algo iminente, ou pode escolher lutar uma
guerra santa, na qual Deus trará a resolução para os seus problemas.
O conflito no Calvário – o Calvário foi uma guerra santa. De um
lado, os inimigos de Cristo. Seus inimigos usaram armas carnais para o
colocarem ali. Do outro lado, está Jesus. Ele veio para a batalha com um plano
santo, determinado a permitir que a verdade e a misericórdia guiassem o seu
caminho. Jesus escolheu lutar com as armas do Espírito – a oração e o amor,
deixando de lado os seus direitos. Ele escolheu servir e abençoar aqueles que o
perseguiam. Que lado do calvário venceu? Que lado possui o poder de Deus? Por
que, então, você escolheria lutar de outro jeito?
Príncipes e princesas do Senhor, esta palavra é para seu
fortalecimento, crescimento, força e ânimo no Senhor. Fique firme, o Senhor te
dará vitória em nome de Jesus,
Um abraço a Todos
