O poeta inglês William Shakespeare disse que a alegria evita mil males e prolonga a vida. Mas o que é este ingrediente da vida tão poderoso? Para muitas pessoas a alegria é apenas um sentimento, condicionado às circunstâncias da vida e ao nosso bem-estar social.
Na perspectiva da fé cristã é algo muito maior que isto. A alegria é um fruto do espírito, portanto, uma ação divina em nós! O povo de Deus é alegre por definição. O cristão é alguém que foi encontrado, aquele que é feliz e recuperou a sua posição como filho. Para os cristãos a alegria não é só uma opção de vida. É uma ordem de Deus ao seu povo; é um bom testemunho; é pré-evangelização e é coerência.
Os cristãos que conhecem a alegria do Senhor descobrem que com ela vem muito divertimento, mas a alegria é uma coisa e divertimento é outra.
Em contraste, o apóstolo Paulo na prisão não teve divertimento, contudo teve muita alegria. Você pode ter alegria sem divertimento, assim como pode ter divertimento sem alegria. Não há nenhuma correlação imprescindível entre as duas coisas. Alegria (CHARA) aparece cinco vezes na Bíblia, como em Filipenses 1.4 e o verbo Regozijai-vos (CHAIREIN) 11 vezes, a exemplo de Filipenses 1.18. Isso tem todo sentido, indica diretamente de onde vinha a satisfação de Paulo. A nota dominante é que Filipenses é a mais “alegre” carta do Novo Testamento.
A alegria é indispensável à vida. Deus criou a alegria, portanto, o Inimigo da nossa vida tentará nos rouba-la a todo custo, através de fatos, acontecimentos e pessoas. Precisamos entender que a alegria é um presente fundamental de Deus para nós neste mundo tão desafiador. Alegria é algo muito maior do que nossos sentimentos e emoções. Mandamentos da alegria estão espalhados por toda Escritura Sagrada: nos livros da lei (Dt 16.11); nos Salmos (Sl 32.11); nos profetas (Zc 9.9); nos evangelhos (Lc 10.20); nas epístolas (Fp 4.4) e no Apocalipse (Ap 19.7). A alegria é também fruto do Espírito (Gl 5.22) e é consequência do perdão e da salvação (Lc 10.20); é promessa a ser totalmente contemplada no futuro (Hb 11.39-40) e é combustível e celebração da missão (Sl 126.6 e Lc 15.7). Portanto, creia que Deus trouxe a alegria para você. Ela é sua, não abra mão dela diante de sentimentos mesquinhos.
Certamente, algumas vezes, quando você estiver atravessando um tempo difícil, terá de ser uma alegria disciplinada, baseada em promessas e em exercícios de fé. A despeito de ser - por natureza - feliz, cabe ao cristão desenvolver essa alegria. Isso pode ser feito por meio do exercício de um espírito grato (aqueles que julgam que a vida lhes deve alguma coisa são incapazes de ser felizes), pela lembrança constante das promessas do Senhor; pelo encontro amoroso com os irmãos e irmãs; pela contemplação da criação; pela memória de Cristo e de sua beleza; pela comunhão diária com Deus por meio da oração e da leitura bíblica; pela vivência do discipulado cristão e pelo “enchimento” do espírito.
Por causa do pecado, da depravação humana, da ordem política e social injusta, da incredulidade, da atuação satânica, do orgulho humano, da fome e da miséria, das vicissitudes naturais da vida, da enfermidade, da morte e da rejeição do evangelho, nem todo tempo é tempo de alegria. A Bíblia ressalta esta verdade: “Há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria” - Ec 3.4.
Além disso, somos seres incompletos, ambíguos e divididos. Um dos efeitos da queda é que nossas emoções nem sempre acompanham nossas certezas. A variação de humor que não dominamos continua como nossa companheira até o final da vida. A plenitude da alegria não é para agora. A garantia de bem-estar permanente não é uma promessa cristã.
E não se esqueça: “a nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos.” (Arthur Schopenhauer). Portanto, alegre-se.
Pense bem nisso!
By Carlito Paes
Um Abraço a todos
Wagner Marins Pyl
